O corpo do paraibano que
morreu em consequência do descarrilamento de um trem em São José do Rio
Preto (SP) já está a caminho da cidade natal dele, Boa Ventura.
Francinaldo Felix Emiliano, de 30 anos, estava em uma casa que foi atingida por um dos vagões.
Segundo o irmão da
vítima, Francisco Félix, o corpo saiu de São José do Rio Preto na noite
desta segunda (25) de carro e a previsão é que chegue na casa da
família, em Boa Ventura, no período da manhã desta quinta-feira (28).
Ainda de acordo com Francisco, os gastos com o translado do corpo foram custeados pela empresa responsável pelo trem que descarrilou. O velório e enterro devem acontecer também em Boa Ventura.
Francinaldo estava
trabalhando formalmente em uma empresa de construção há oito meses,
segundo o irmão. Ele morava em São Paulo com a companheira, Graziela
Joaquim dos Santos, de 27 anos, que estava grávida de dois meses, e
também com o filho dela, Kauan, de 6 anos. Eles iriam casar e passar a
morar juntos na próxima semana.
Os corpos de Graziela e
de Kauan foram enterrados na tarde desta segunda-feira (25) no cemitério
São João Batista, em São José do Rio Preto (foto). Segundo a mãe de
Graziela, a dona de casa Clauci Joaquim dos Santos, a filha ia se mudar
com Francinaldo. “Ela estava muito feliz com a gravidez e com a mudança,
eles iriam se casar e passar a morar juntos esta semana. Eles estavam
comprando os móveis e arrumando a nova casa”, afirma a mãe.
Clauci também estava na
casa que foi atingida por um vagão na tarde de domingo. Ela afirma que
estava no quarto, dormindo com um dos netos, quando o acidente
aconteceu. Clauci explicou que foi atingida por um pedaço do teto que
caiu, mas conseguiu se salvar graças ao filho Carlos Joaquim dos Santos,
que a resgatou. “Meu menino me puxou para me salvar e quando ele voltou
para salvar o meu neto já não dava mais tempo. Quando eu vi meu neto já
sabia que estava morto. Foi tudo muito rápido, eu estava dormindo e
acordei com o estrondo”, diz.
O trem descarrilou perto
do bairro Jardim Conceição e um dos vagões atingiu duas casas. Oito
pessoas morreram no acidente, que destruiu pelo menos duas casas.
Segundo a mãe das vítimas, a empresa responsável pela ferrovia irá ceder
uma casa para a família, além de comprar móveis para que eles fiquem
alojados. “Perdi minha filha, dois netos e o meu genro, é lógico que eu
quero Justiça. Vou tentar retomar a minha vida, morar com o meu filho,
que agora são só nós dois, para nos dar força um para o outro”, afirma.
O enterro de Graziela e
do filho reuniu milhares de pessoas e foi marcado pela comoção e pela
revolta por causa do acidente. A amiga de infância de Graziela, Micaeli
Aparecida de Souza, espera que as autoridades tomem alguma providência.
"Ela estava muito feliz e perder a vida assim é muito trágico. Sempre
houve descarrilamentos em Rio Preto e agora, nesta tragédia, a gente
espera que algo possa ser feito", afirma.
Acidente
A composição, formada
por nove vagões carregados com quase 1 mil toneladas de milho saiu dos
trilhos e atingiu duas casas que ficam ao lado da linha. Segundo o
delegado Marcelo Goulart da Silva, alguns moradores afirmaram que o
maquinista estaria em alta velocidade. Um engenheiro da ALL, empresa
responsável pelo trem, nega a informação. No local, região de perímetro
urbano, a velocidade máxima na linha férrea é de 40 km/h. O maquinista
foi levado para a delegacia para prestar depoimento. A Polícia
Científica tem 30 dias para emitir o laudo com as causas do acidente,
que trabalha duas hipóteses: problemas no dormente dos trilhos ou falha
de freios.
Em nota ao G1, a ALL
disse que "a concessionária responsável pela operação no trecho lamenta
profundamente a fatalidade ocorrida e se solidariza às famílias e
vítimas, a quem dará todo suporte e apoio. Por meio do centro que
controla remotamente, via satélite, toda a operação, a empresa confirmou
que a composição transitava dentro dos limites de velocidade do trecho.
As causas do acidente serão investigadas por meio de sindicância". A
empresa também afirmou que uma análise preliminar indica que o trem
trafegava a uma velocidade adequada. Uma sindicância foi aberta para
investigar as causas do acidente.
Fonte: G1 PB

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